INTRODUÇÃO

Quando o desejo deixa de ser governado por Deus

A expressão “concupiscência da carne” é muito mais profunda do que a simples associação com os desejos sexuais. Ela envolve a natureza dos desejos humanos, a inclinação interior, a vontade e o conflito entre aquilo que desejamos e aquilo que Deus estabelece.

O ser humano foi criado com capacidade de desejar, escolher e buscar satisfação. Deus o formou com corpo, emoções, necessidades e anseios. O problema bíblico, portanto, não está na existência do desejo, mas em sua natureza, em sua direção e em seu governo.

Este livro percorre três dimensões complementares. A dimensão etimológica investiga as palavras — latinas, hebraicas e gregas — com as quais o tema foi expresso. A dimensão bíblico-teológica examina os textos em seus contextos. A dimensão homilética conduz o estudo à vida, à pregação e ao discernimento cotidiano.

O método desta investigação

  • As palavras originais são apresentadas em seus alfabetos, com transliteração e significado.
  • A etimologia contribui para o estudo, mas não substitui a análise do uso de cada palavra em seu contexto.
  • Relações entre textos são apresentadas como correspondências temáticas, e não como equivalências lexicais, quando o texto não sustenta mais do que isso.
  • Divergências interpretativas relevantes são expostas com seus fundamentos e limites.
  • Aplicações pastorais são identificadas como tais e não se misturam com a demonstração exegética.

A pergunta que atravessa toda a obra é simples de formular e exigente de responder: Adão e Eva pecaram porque desejaram, ou porque permitiram que o desejo os conduzisse à desobediência?